Qual é o status atual da rota de cidadania sefardita?
A cidadania portuguesa por descendência sefardita-judaica está fechada para novos requerentes desde 19-05-2026, e os processos em andamento continuam regidos pelas regras anteriores. A Comunidade Israelita de Lisboa parou de aceitar submissões de certificação em início de maio de 2026, logo após a promulgação da nova lei.
da Lei da Nacionalidade portuguesa não retroage com suas alterações para processos administrativos pendentes. Portanto, se você já protocolou o seu pedido de cidadania portuguesa, a avaliação será feita com base na legislação vigente no momento da submissão, e não na nova lei.
Na prática, isso significa que o resultado depende da data em que você protocolou o pedido — e essa é justamente a informação que a maioria dos candidatos com processos em andamento não recebe de forma clara.
O que era a cidadania portuguesa por descendência sefardita?
Tratava-se de uma rota especial de naturalização que concedia a cidadania portuguesa a descendentes de judeus sefarditas de origem portuguesa, sem exigir residência em Portugal ou teste de idioma. Durante mais de uma década, foi uma das rotas de acesso mais acessíveis a um passaporte da UE em qualquer lugar do mundo.
A rota baseava-se em uma dívida histórica. Oferecia, no papel, um caminho de volta aos descendentes das pessoas que Portugal havia expulsado da Península Ibérica séculos antes.
O que é ascendência sefardita?
Ascendência sefardita significa descender das comunidades judaicas da Península Ibérica, 'Sefarad', que abrangia Portugal e Espanha. Os descendentes dessas comunidades sefarditas mantiveram sua herança ao longo das gerações por meio de sobrenomes, idioma familiar, práticas religiosas, raízes comunitárias e memória.
São frequentemente chamados de "judeus portugueses" ou "judeus da Nação Portuguesa". Essas comunidades estavam presentes na Península Ibérica muito antes da formação dos reinos cristãos.
Rastrear sua árvore genealógica até uma comunidade sefardita de origem portuguesa e comprovar a ancestralidade sefardita por meio da tradição de pertencimento a uma comunidade judaica, foi o cerne de toda a reivindicação.
Por que Portugal criou a rota de cidadania sefardita?
A rota existia para reparar a expulsão dos judeus de Portugal após o Édito de Alhambra de 1492 da Espanha e a ordem de 1496 do rei D. Manuel I, que determinava a expulsão ou conversão forçada de todo judeu que não aceitasse o catolicismo. Muitos judeus espanhóis já haviam fugido da Inquisição, atravessando a fronteira para Portugal, apenas para enfrentar perseguição e expulsão também nesse país.
Séculos depois, Portugal alterou sua lei de nacionalidade para permitir que seus descendentes recuperassem a cidadania, apresentada como reparação histórica por essa perseguição. Quando entrou em vigor, Portugal tornou-se o único país, além de Israel, a aplicar uma "Lei do Retorno" para judeus.
Quem era elegível e quem se candidatou?
Era para adultos de origem sefardita-judaica ligados a Portugal, em qualquer lugar do mundo, e o grupo de candidatos era global. Israelenses representavam um dos maiores grupos a apresentar candidatura à cidadania portuguesa com base em origem judaica, ao lado de candidatos turcos e brasileiros de descendência sefardita.
A escala foi grande. Autoridades e imprensa portuguesas relataram bem mais de 200 mil pedidos desde 2015 e dezenas de milhares de concessões, e, em 2022, os registros de sefarditas chegaram a cerca de 124 mil, quase um terço de todos os casos de nacionalidade naquele ano. Esse volume contribuiu para a restrição descrita a seguir.



















